O seu carrinho de compras está vazio.
Descrição do Produto
Um choque, sim, porque, de entre todos os seres pensantes e que são do mundo conhecido do Autor, nunca houvera ousado imaginar que se lembrasse da minha modesta figura para uma tarefa tão complexa, tão vasta e tão responsável, quanto introduzir a Obra escrita de um verdadeiro Pensador.
Um prefácio demasiado extenso ou demasiado sucinto constitui, em ambos os casos, um acinte para o Autor da Obra: no primeiro porque pode sugerir que bem melhor seria ter escrito outra coisa ou o que está escrito é banal, comezinho e sem valor, ou errado, ou deturpado; no segundo, porque o introdutor não vê ponta por onde se pegue na tarefa de que foi incumbido e deseja apenas, com meia dúzia de palavras de circunstância não ferir demasiado o ego do seu amigo.
Não é, indubitavelmente, este o caso vertente, pelo que tentarei realizar aquilo que entendo dever ser um prefácio: um aguçar de apetite, um leve desvendar do segredo, um provocatório destapar, um pouco, do véu que contém por trás de si um tesouro, uma pérola, uma fonte de prazer intelectual.
Quem conhece o Dr. Ruy Branco não vai ficar surpreendido com o que vai ler. Trata-se de um Homem do Renascimento, de um verdadeiro Humanista, no sentido mais nobre, e lato do termo, um Homem preocupado com a condição humana, tal como o título do livro, inequivocamente, deixa entrever.
Profundo conhecedor de História da Humanidade, de História da Arte, de Música, pintor de méritos firmados, com inúmeras exposições individuais e colectivas, Médico renomado, um dos mais prestigiados Cirurgiões do panorama nacional e internacional do Século XX português, figura tutelar pela grandeza humana, filosófica e científica, de uma Instituição, também ela, já bicentenária, tutelar no panorama científico e no património histórico Nacional, temos diante de nós um verdadeiro Homem Novo, na melhor tradição de Leonardo ou de Erasmo.
Os conhecimentos que expande sobre Antropologia, Paleontologia, Física, Mecânica Celeste, Biologia Celular e Molecular, sobre Neurociências, são apenas o pano de fundo para uma profunda reflexão sobre o que, de facto, distingue a nossa espécie das restantes: a faculdade de articular, juntar e exprimir pensamentos de forma inteligível e coerente, registados de forma mais ou menos indelével, na memória colectiva da Humanidade.
O seu discurso metafísico e a sua concepção cosmogónica, que em tudo partilho, fazem-me hoje admirá-lo com mais intensidade e à luz de um brilho que ainda, para meu deleite, desconhecia.
A sua incursão epistemológica é lúcida e segura, a sua análise é científica e susceptível de ser posta à prova. As suas conclusões e reflexões são não de carácter especulativo, mas sim de uma lógica irrefutável e assentes em pressupostos que mesmo os seus potenciais detractores terão dificuldade em contrariar: atente-se no fim declarado e expresso do Purgatório, do Limbo, da mitigação dos castigos infernais, nas dúvidas dos mais crentes nos mais inabaláveis dogmas, para que não duvidemos que muito não faltará para que todos se apercebam do embuste colossal que foram os Concílios de Niceia e de Latrão e no quão genial foi Constantino Magno na sua empresa de transformar uma pequena e obscura seita do judaísmo numa das mais poderosas corporações que o Mundo jamais conheceu. Está dentro destas páginas, explicado com um brilho e uma clareza que não posso presumir conseguir.
Não concordarei em tudo com a análise lapidar do Autor: não partilho do seu apreço por Jean-Jacques Rousseau, nem pela forma como acaba por pô-lo no mesmo pé de igualdade final com G.W.F. Hegel. Lamento que não tenha tido uma palavra para Johann Fichte, nem para denunciar os modernos filósofos, nomeadamente norte-americanos, filósofos tipo mc donald, que nos vendem já o produto pronto a comer, absorver e dejectar, se para tal tivermos energia.
Num ponto estamos absolutamente de acordo: Immanuel Kant e Isaac Newton foram talvez as mentes mais brilhantes dos tempos modernos, sem encontrarem quem se lhes compare em alcance e vertigem visionária, merecedores de emparelharem ao lado de Zenão, de Pitágoras, de Séneca e de Marco Aurélio Antonino.
Da pena de Séneca saiu o ensinamento de que ninguém é insubstituível , de que haverá sempre alguém capaz de fazer a mesma coisa melhor do que nós e de que aparecerá sempre alguém que fará com tenham saudades nossas.
Ao Dr. Ruy Branco aplica-se, e assenta como uma luva, a frase de Terêncio: Homo sunt, humani nihil a me alienum puto.
Informação Adicional
| Nome do Autor | Ruy Branco |
|---|---|
| Tipo de Papel | Munken 80 gr. |
| Formato | A5 |
| Tipo de Impressão | Preto e Branco |
| Tipo de Encardenação | Capa Mole |
| Número de Páginas | 61 |



A Carregar...