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“A impressão e o acabamento dos livros estão sujeitos às tolerâncias técnicas inerentes aos processos de impressão digital, corte e encadernação. Pequenas variações de corte, alinhamento, vincos ou tonalidade das cores podem ocorrer e não são, por si só, consideradas defeitos de produção. A tolerância admissível depende das especificações técnicas do processo e do equipamento utilizado.”

 

Na impressão digital de livros, sobretudo quando há capa mole, lombada colada e acabamentos de corte/vincagem, é importante perceber que existe uma margem técnica de tolerância. Mesmo com ficheiros perfeitamente preparados, o resultado físico pode apresentar pequenos desvios.

 

1. Impressão das folhas

Na impressão digital, o interior e a capa são normalmente impressos em folhas de grande formato. Ao contrário de uma impressão doméstica, a máquina trabalha com sistemas de alimentação, transporte e registo muito precisos, mas o papel pode sofrer pequenas variações:

 

  • deslocação ligeira da folha durante a alimentação;
  • variação dimensional do papel devido à humidade e temperatura;
  • pequenas diferenças de registo entre frente e verso;
  • ligeira rotação ou deslocação da imagem na folha.

 

Estas diferenças podem ser muito pequenas, mas tornam-se mais visíveis quando existem margens estreitas, linhas, molduras ou elementos gráficos próximos do corte.

 

2. Corte

Depois da impressão, as folhas são agrupadas e cortadas para obter o formato final do livro.

O corte não é necessariamente uma operação com precisão absoluta de décimas de milímetro. Existe uma tolerância mecânica, e o próprio papel pode deslocar-se ligeiramente dentro da guilhotina.

Por isso, por exemplo, num livro A5 (148 × 210 mm), pode existir uma diferença de alguns décimos de milímetro ou até cerca de 1 mm entre diferentes exemplares, dependendo do equipamento, quantidade de folhas e características do trabalho.

É precisamente por isso que se utiliza sangria no ficheiro: uma imagem ou fundo que chega ao limite da página deve ultrapassá-lo, normalmente alguns milímetros, para que um pequeno desvio do corte não produza uma linha branca.

 

3. Vincagem da capa

Na capa, o processo é ainda mais sensível.

Antes da colagem, a capa é normalmente vincada nas zonas correspondentes às dobras da lombada. Numa capa com badanas, existem ainda mais vincos.

 

Por exemplo:

capa → lombada → contracapa

A posição da lombada é determinada em função da espessura do miolo. Essa espessura depende de vários fatores:

  • número de páginas;
  • gramagem do papel;
  • tipo de papel;
  • espessura real de cada folha;
  • humidade;
  • compressão do bloco durante a encadernação.

 

Assim, uma lombada calculada teoricamente, por exemplo, para 12,4 mm, pode apresentar uma diferença muito pequena relativamente à posição matemática prevista.

 

4. A lombada não é uma referência absolutamente rígida

Este é um ponto importante para explicar aos autores.

A lombada é uma zona física criada pela encadernação, e não simplesmente uma linha impressa.

 

Durante a produção:

  1. o miolo é formado;
  2. é prensado;
  3. é aplicada cola;
  4. a capa é posicionada;
  5. os vincos são formados;
  6. o conjunto é prensado/seco;
  7. finalmente é feito o corte.

 

Cada uma destas operações pode introduzir uma pequena variação.

Consequentemente, é possível que o vinco fique ligeiramente deslocado para um lado, mesmo que a capa tenha sido criada com as medidas corretas.

 

5. Colagem da capa

Na encadernação de lombada colada, a capa é aplicada sobre o bloco de páginas com cola.

A posição da capa depende da combinação entre:

  • posicionamento do bloco;
  • quantidade e distribuição da cola;
  • pressão exercida;
  • posição da capa no momento da aplicação;
  • comportamento do papel/cartão;
  • tempo de secagem.

 

Pode acontecer, por exemplo, que uma capa fique 0,5 mm mais próxima da frente e outra 0,5 mm mais próxima da contracapa.

Visualmente, num livro isolado, esta diferença pode ser praticamente impercetível. Quando se colocam dois exemplares lado a lado, pode tornar-se evidente.

 

6. Porque é que os vincos podem não coincidir exatamente com a lombada?

Há uma situação particularmente comum:

ficheiro da capa:

148 mm | lombada 12 mm | 148 mm

mas o resultado físico pode apresentar:

147,5 mm | lombada 12,5 mm | 148 mm

Isto não significa necessariamente que a capa tenha sido produzida com medidas erradas.

Pode resultar de uma pequena combinação de tolerâncias na impressão, vincagem, posicionamento e encadernação.

Além disso, o papel não é um material perfeitamente rígido e dimensionalmente estável.

 

7. Efeito visual especialmente importante: capas com fundo ou fotografia

O desvio torna-se muito mais perceptível quando a capa contém:

  • uma linha vertical junto à lombada;
  • uma fotografia que deveria coincidir exatamente;
  • uma moldura;
  • uma faixa de cor;
  • texto muito próximo do vinco;
  • grafismos geométricos.

 

Por exemplo, se houver uma linha preta exatamente a 2 mm da lombada, um deslocamento de 1 mm pode ser facilmente percebido.

Num fundo fotográfico ou numa cor uniforme, o mesmo desvio pode passar completamente despercebido.

 

8. E as badanas?

Nas capas com badanas existe ainda outra possibilidade de variação.

Temos várias zonas:

capa → vinco → badana → dobra

Quanto mais elementos de dobragem existirem, maior é a possibilidade de pequenas diferenças acumuladas.

Por isso, não é aconselhável colocar texto ou elementos gráficos demasiado próximos dos vincos.

 

Em termos práticos

Podemos resumir assim:

Fase

Possível variação

Impressão

Pequeno desvio de registo

Corte

Pequena variação dimensional

Formação do bloco

Compressão/espessura variável

Aplicação da cola

Pequena deslocação

Colocação da capa

Pequeno descentramento

Vincagem

Pequena diferença na posição do vinco

Secagem/prensagem

Alteração mínima da posição/forma

 

Estas pequenas variações são inerentes ao processo industrial de produção de livros.

Não significa que o livro esteja necessariamente mal produzido. É necessário distinguir entre um desvio dentro da tolerância técnica e um verdadeiro defeito de produção — por exemplo, uma capa claramente torta, uma lombada significativamente deslocada, corte irregular ou uma colagem deficiente.

 

Importa, contudo, esclarecer que, no processo de impressão digital, podem ocorrer ligeiras variações de tonalidade, com tendência a escurecer, entre o ficheiro digital e o resultado impresso, ou mesmo entre diferentes impressões. E tendência a escurecer as imagens.

Estas variações podem resultar de diversos fatores, nomeadamente da própria tecnologia de impressão, da calibração do equipamento, dos consumíveis utilizados e das características do papel, incluindo a sua tonalidade, capacidade de absorção da tinta/toner e até da temperatura que os equipamentos de impressão atingem.

Assim, pequenas diferenças de tonalidade, saturação ou intensidade podem ocorrer no processo de impressão, sem que isso signifique que tenha existido qualquer alteração no ficheiro original.